segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Eu amei te ver!

começando o post [ao som] da música nova do Tiago Iorc:


"Ah, quase ninguém vê
Quanto mais aumenta a graça
Mais o tempo passa por você"

preguiça grande de letras maiúsculas hoje - e do shift, entre outras coisas. 
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em uma parte da música ele fala "me encaixo no teu cheiro e ali me deixo inteiro" e, coincidência ou não, estávamos no buteco esses dias falando sobre o cheiro - novemente, entre outras coisas - das pessoas. uma amiga, na qual eu tendo a confiar bastante, disse que ela sempre seguia sua intuição quanto a duas coisas: o cheiro e o beijo. se não gostasse de um dos dois saberia que não daria certo. outro amigo certa vez disse que a voz era realmente importante, que podemos conhecer uma pessoa apenas ouvindo sua voz - não necessariamente o que ela diz. ainda não tenho esses 'dons' ou essas 'manhas'. o que sei é que, antes mesmo de ouvir essa minha amiga, já havia pensado sobre o cheiro. e não gostei. pra ser sincera foi o que mais me incomodou, e permaneceu no ambiente o resto do dia e da noite, já que ao ligar o ventilador de teto ele continuava pairando no ambiente. o que ainda me deixa confusa é saber que mesmo não gostando não queria que o cheiro acabasse. claro, tenho minhas teorias pra isso. e claro, não fazem sentido nenhum.
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outra coisa que tem me incomodado - além daquele cheiro que ainda não saiu da minha cabeça - é que as pessoas são [adjetivo ruim que eu não consigo definir]. sim, elas são. umas sem caráter, outras interesseiras, e por aí vai. esse 'interesse não saudável' - se é que isso existe - é que tem me aborrecido. quer ver alguém aparecer? é só dizer que eu posso ajudar com algo. tá feia a coisa.
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ainda assim, continuo otimista.
maldição ou inocência, fico com a segunda ;)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Irgendwann muss ich auch da raus

Sobre a descoberta de bandas novas:


AnnenMayKantereit - Jeden Morgen

Ich würd viel lieber jeden Morgen von neuem
Von dir träumen

Jeden Morgen schaue ich aus dem Fenster
Irgendwann muss ich auch da raus
Und ich weiß nicht ein, ich weiß nicht aus

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Desate o nó

Ontem fomos a um festival em Uberlândia, em que tocaram Pitty e HG. Sempre que vou a algum show dele, aquela sensação de que deveria ser diferente me persegue.
Sabe quando você reza pra esquecer torcendo pra lembrar? Sou hipócrita demais.
Quando tocou Ando só, relacionei a música à uma pessoa. A noite ainda não tinha acabado. Estávamos minha irmã, a prima dela e outra pessoa. Quando está tudo bem, bem até demais, sempre tenho a impressão de que é porque os ventos calmos trarão as tempestades. Quando a noite acabou choveu, tempestiou e a calmaria  acabou (o fogo derreteu, o gelo incendiou, a brisa virou tufão, o mar derramou e a casa caiu, mas isso só aconteceu porque o amor entrou no meio e o meio, que antes era amor, demonstrou que todas as tentativas de "deixa isso pra lá" levaram a um "lá" muito complicado).

"Desate o nó que te prendeu 
A uma pessoa que nunca te mereceu
Desate o nó que nos uniu.."

A música foi então relacionada à outra pessoa. Desculpa, mas dessa vez tive nojo e raiva de saber o quanto te defendi. Aquilo sobre tudo valer a pena quando a alma não é pequena, então, não há consideração com quem nem alma tem. Au revoir, mesmo que seja depois de 15 anos.
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Não me lembro de ter relacionado a reação de pessoas a um mesmo comentário ou acontecimento e ter discutido isso. Ontem comentei com um amigo sobre o show, já que sei que ele é muito fã, e ele respondeu tão entuasiasticamente e ficou feliz por ter lembrado dele durante o show que a conversa foi longe. Ao fazer o mesmo comentário com outro amigo, além de ter feito pouco caso ainda disse que era tudo a mesma coisa. Depois, passei uma raiva idiota (por culpa minha, com certeza) e também comentei com este amigo, tudo que ele conseguiu dizer foi "você é uma porta", rindo. Estava conversando com um terceiro e contei o porquê da raiva, ele se colocou no meu lugar, falou o que eu podia fazer pra consertar e ainda me disse que era pra esperar a raiva passar até amanhã e ligar pra ele se precisasse de algo. Reações né.
Aí ouvi "tá cada vez mais difícil gostar de você!" e por incrível que pareça foi da pessoa que eu mais tento ouvir, interagir e que tá sempre pouco se fodendo pro que eu digo. Tá cada vez mais difícil mesmo.
Reações às quais não sei como reagir. [rezando pra esquecer e torcendo pra lembrar - quem sabe em dois anos, já que 15 parece ser o número máximo de tolerância]
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Post passado me preocupei com meu inferno astral - que ainda não sei dizer se ocorreu ou não. Mas conseguimos encontrar uma casa (decente, diga-se de passagem), as coisas estão em ordem e consigo ver uma luz, ainda que pequena, no fim do túnel.
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Ainda ouvindo Esteban.

Ando Só - Engenheiros do Hawaii 



Ando só 
Pois só eu sei 
Pra onde ir 
Por onde andei 
Ando só nem sei por quê 
Não me pergunte o que eu não sei 
Pergunte ao pó
Desça ao porão
Siga aquele carro ou as pegadas que eu deixei
Pergunte ao pó por onde andei
Há um mapa dos meus passos nos pedaços que eu deixei 
Desate o nó 
Que te prendeu 
A uma pessoa que nunca te mereceu 
Desate o nó que nos uniu 
Num desatino, um desafio
Ando só
Como um pássaro voando
Ando só
Como se voasse em bando
Ando só
Pois só eu sei andar
Sem saber até quando
Andó só
Ando só... até ...sem saber até quando


Chacarera da saudade - Esteban Tavares



Se fosse só sentir saudade
Seria fácil passar por cima
Olhar pros lados, andar desligado
Inventar outras rimas

Se não soubesses minhas mentiras
Toda verdade do meu coração
Eu viveria despreocupado
Não estaria na tua prisão

Mas não tem tempo certo, não tenho um sinal
Não temos nada escrito pra parte final
E não tem guarda chuva pro nosso temporal
Dançamos tango em pleno carnaval

Eu quero tudo que você quer
Não quero nada de outra mulher
Preciso ficar calmo, não sei o que tomar
Preciso ficar mudo quando quero gritar

E eu desesperado de tanto esperar
No fundo, esperando o telefone tocar
Fumando minhas besteiras, pensando em te ver
Eu não sei ficar só e não quero aprender

Ah, toda a dor da saudade
Milhas e milhas de inferno no chão
Enquanto andas no céu
Voltáras, voltarás

E não tem precisão, precisamos de tudo que o tempo a te devolver
Que nunca morra o que há de viver
Eu não sei ficar só e não quero aprender

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Vambora, you who are my home!

Baixei um CD do Esteban esses dias e comecei a gostar (muito mais) do que ouvia. Ouvi uma dele interpretando Adriana Calcanhotto, Vambora, ficou sensacional junto com a Coming Around Again. Ele conseguiu expressar a urgência da música, aquela angústia que a gente sente quando escuta - e quando passa por isso.
Já falei da mania que tenho de me apegar a músicos/ músicas que me são indicados por amigos, ou até mesmo quando não são, mas fazem com que me lembre deles. Esteban, Alexi Murdoch, Dido, Saulo, são tantos que (pra variar) me perco. Em alguns outros casos me lembro de mim. Meio bizarro, mas consigo ver sentido nisso.
(Sobre a colocação dos pronomes: foda-se as colocações dos pronomes)
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Voltei pra casa. E por casa entenda-se 'cidade'. Senti algumas coisas que não sei se consigo descrever completamente: a primeira parte foi de ansiedade, de chegar, me instalar, decidir a casa nova, e que acabou se misturando à segunda - sem que a primeira acabasse - naquela coisa de aconchego. Uma situação corriqueira, fui ao banco com meu pai e, enquanto esperávamos na fila, pude ficar um tempo abraçada nele, como eu fazia desde criança, enquanto ele me fazia cafuné. Sensação de segurança, proteção e calma (muita tranquilidade!) que todo filho deveria ter o direito de ter. A terceira sensação vem se misturando as outras: empolgação, grande empolgação com o que está por vir.
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Sempre tive uma paranóia de que morreria aos 27. E hoje, exatamente HOJE, falta um mês para completar 27 (será que começaria aqui o que alguns acreditam ser o tal do inferno astral? Espero sinceramente que não).
E quanto mais perto do aniversário, mais me convenço de que a "morte" que eu sempre encanei nada mais é do que um sinal de mudança, de rompimento com uma antiga vida, uma pessoa que fui.
Li uma frase quase agora "aquilo que somos nos acompanhará onde formos" o que coincide com o que sempre pensei sobre nossa essência.
Começo a pensar que essência não é necessariamente aquilo que fomos durante toda a vida, já que para conhecermos nossa essência deveríamos nos conhecer profundamente, e isto, ahhh isto só vem com muito tempo (digo por tentativa própria, são quase 15 anos pensando intensamente sobre isso). O que me leva a concluir que, sim, nossa essência ("aquilo que somos") nos acompanhará, porém, os antigos "eu's" que ficam pra trás não fazem parte da nossa essência, fizeram parte do nosso processo de amadurecimento, me permitindo acreditar em uma auto-evolução (que me desculpe meu amigo biólogo, já que aqui uso como sinônimo de progresso).
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Ainda ouvindo Adriana Calcanhotto, mantenho a mesma dúvida que tinha no post passado sobre as pessoas que amo terem noção do que sinto por elas. Acho que pela primeira vez consegui conectar meus pensamentos ao longo do texto. Eis aqui onde eu queria chegar: o fato de voltar pra casa, estar perto novamente daqueles que dão sentido à minha vida, permite que eu consiga demonstrar esse sentimento (mesmo que aos poucos), Seja numa fila de banco dizendo "senti falta de casa", num almoço elogiando a comida que a mãe fez com carinho, num gesto delicado aos meus irmãos.

Esteban - Vambora

Alexi Murdoch - Orange Sky

Well I had a dream
I stood beneath an orange sky
Yes I had a dream
I stood beneath an orange sky
With my brother standing by
I said Brother, you know you know
It's a long road we've been walking on
Brother you know it is you know it is
Such a long road we've been walking on

And I had a dream
I stood beneath an orange sky
With my sister standing by
I said Sister, here is what I know now
Here is what I know now
Goes like this..
In your love, my salvation lies
In your love, in your love, in your love

But sister you know I'm so weary
And you know sister
My hearts been broken
Sometimes, sometimes
My mind is too strong to carry on
Too strong to carry on

When I am alone
When I've thrown off the weight of this crazy stone
When I've lost all care for the things I own
That's when I miss you, that's when I miss you, that's when I miss you
You who are my home
You who are my home
And here is what I know now
Here is what I know now
Goes like this..
In your love, my salvation lies
In your love, in your love, in your love

Well I had a dream
I stood beneath an orange sky
Yes I had a dream
I stood beneath an orange sky
With my brother and my sister standing by


quinta-feira, 28 de maio de 2015

...

Ainda ouvindo Tiê e pensando na vida (mais do que deveria, pra variar).
Ontem estava vendo filme, não me lembro qual, e em uma das cenas me lembrei de um tempo em que só o olhar bastava.
Envelhecer traz muitas coisas boas. Olhar pra trás e perceber as nossas mudanças, o nosso progresso (ou o inverso também), a nossa história..

[nem a maldade do tempo consegue me afastar de vc]

Entender que nem sempre boa vontade resolve tudo. Que o tom da voz vale mais do que o que é dito. Que a primeira impressão pode te abrir muitas portas e te fechar outras tantas, não só a primeira impressão que as pessoas têm da gente, mas a que a gente tem dos outros. Que sorrir é importante, e que mesmo sorrindo, às vezes, as pessoas não vão te entender. Que ser leal compensa. Que a amizade ameniza qualquer dor. 

Tive boas amizades, tenho bons amigos, valorizo isso.
O Nando Reis cantou que ficava preocupado em pensar se os filhos dele sabiam o quanto ele os amava. Me preocupo também se as pessoas que eu amo sabem disso, sabem o quanto.

Mano, que cheiro estranho é esse que paira nessa cidade?! Bauru é estranha.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Tiê


Tiê - A noite 

Palavras não bastam, não dá pra entender
E esse medo que cresce não para
É uma história que se complicou
Eu sei bem o porquê

Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você

E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão

Pro tanto que eu te queria o perto nunca bastava
E essa proximidade não dava
Me perdi no que era real e no que eu inventei
Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer
E te dedico uma linda história confessa
Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você

Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou

E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão


Pensei em escrever, desanimei. Pensei de novo, começou a tocar Daughter, me perdi. Tocou Beethoven [Piano Concerto No. 5, Op. 73 - Emperor II Adagio un poco mosso].
Música clássica me deixa melancólica, em um bom sentido. É como se os sentidos se ampliassem, tenho dificuldades em achar as palavras certas, e não apenas pra isso. Imagino que esta seja a (des)vantagem quando passamos a pesar um pouco aquilo que pretendemos falar.
Ouvi de várias pessoas que somos responsáveis por aquilo que falamos, mas não por aquilo que as pessoas interpretam. Discordo.
Essas coisas me lembram Leminski.

Sinto que estou novamente em um daqueles momentos de transição. E não me refiro exclusivamente à mudança de cidade (sim, d-e--n-o-v-o-!). Estou aqui há 16 meses. É uma sensação estranha esta da dualidade. Parece mais tempo quando penso em algumas pessoas que ficaram ou das quais me afastei. Parece menos quando percebo o que realizei aqui.
Tempo pra balanço. Pesar as ações (e principalmente, a falta delas). O que eu pensei que sabia quando cheguei aqui, o que eu descobri, o que eu confirmei. Paciência tem sido a palavra chave. E imagino que os próximos três meses serão ainda mais assustadores.

[Franz Liszt - Love Dream]

Claro que não mais que o retorno. Este sim me assusta, me aterroriza. A incerteza do futuro é mortificante. E pensar que todo esse turbilhão de coisas, que não param de rodar dentro da minha cabeça, perdem espaço pro ódio que eu sinto desse tic tac maldito do relógio do vizinho (sim, dá pra escutar do meu quarto, e por razões óbvias, só a noite) roubando o resto de sono e/ou concentração.

[Michel Legrand - Gymnopédie N°1] Eu escuto essa música há tanto tempo, e ainda não sei porque ela mexe tanto comigo.

Mas essa que está tocando agora [Bach - Piano Concerto in F Minor Largo] é com certeza uma das minhas preferidas desde sempre, eu percebi que ela parece ser a incidental do Céu de Santo Amaro, de Flávio Venturini, que me traz paisagens bucólicas e aulas de literatura da profª Leila. Houve uma época em que ambas me fizeram querer morar em Ouro Preto.
De qualquer forma, Ouro Preto, Bauru, Uberaba.. tantos nomes que não me dão certeza alguma.

[Chopin - Nocturne #2 In E Flat, Op. 9/2, CT 109]

O tempo passou. Rápido.
E continua indo embora sem que eu me dê conta de que estou parada.
"tudo está parado por aqui, esperando uma palavra.."
Humberto e os clássicos têm me compreendido como nunca!

Sempre tive mania de ver tudo girar ao meu redor, como se as coisas acontecessem porque eu estava ali, ou por eu não estar, como uma criança. E de repente vi a mudança acontecendo independente de mim, e achei que me assustaria ou desapontaria por isso. Fiquei mais tranquila na verdade.
Ver o amadurecimento das pessoas que eu amo (independente da fase).

Esqueci o que ia falar.. que comum isso.


Carrego o peso da lua
Três paixões mal curadas
Um saara de páginas,
Essa infinita madrugada.

Viver de noite
Me fez senhor do fogo
A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não
Esse, eu mesmo carrego.
[P. Leminki]